Descrição
O Governo português apresentou o Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) como resposta à destruição causada pelas tempestades de janeiro e fevereiro de 2026, em particular a tempestade Kristin, e como agenda de preparação estrutural para riscos extremos. O plano cobre o período de 2026 a 2034, tem âmbito nacional e está organizado em três pilares: Recuperar, Proteger e Responder.
A presente avaliação não incide sobre o PTRR no seu conjunto, mas sobre a proposta de criação de um fundo de catástrofes naturais e sísmicas e de um sistema de seguros obrigatórios para habitação e infraestruturas empresariais. Segundo o Governo, esta medida pretende garantir uma resposta mais rápida e previsível em situações de crise, reduzir a dependência exclusiva da intervenção do Estado após catástrofes e introduzir uma dimensão de solidariedade social para famílias com menores rendimentos.
Esta proposta procura responder a um problema de elevada relevância intergeracional: o facto de o modelo atual poder transferir parte dos custos das catástrofes para gerações futuras, através de dívida pública, impostos futuros ou menor margem orçamental.
O mecanismo anunciado deverá assentar em quatro componentes principais:
- obrigação de cobertura seguradora para habitações e ativos físicos empresariais;
- criação de um fundo nacional para riscos naturais e sísmicos, financiado por prémios, contribuições e eventual apoio público;
- apoio público focalizado para que famílias vulneráveis consigam aderir aos seguros;
- articulação com medidas de prevenção, como reabilitação estrutural, redução da exposição em zonas de risco, melhoria da informação e reforço das infraestruturas críticas.
